Em meados do século XIX o médico húngaro Ignaz Semmelweis promoveu a ideia lavar as mãos para reduzir o número significativo de morte nos hospitais. Baseou-se em evidências, a partir das suas experiências em maternidades.

A sugestão foi rejeitada pelos seus colegas, que à época não imaginavam a existência de germes ou bactérias. Mais que isso, ele foi demonizado e colocado num manicômio, pelo simples fato de insistir na importância de se lavar as mãos.

Outro médico que penou com a ignorância de uma época (entre tantos outros) foi o nosso conterrâneo Oswaldo Cruz, nascido em São Luiz do Paraitinga.

No início do século XX ele foi designado para coordenar as campanhas de erradicação da febre amarela, da peste bubônica e da varíola, na então capital Rio de Janeiro.

Organizou batalhões de limpeza para eliminar os focos de insetos transmissores; montou esquadrões para matar ratos, porque as pulgas transmitiam a peste bubônica, e convenceu o presidente Rodrigues Alves a decretar a vacina obrigatória contra a varíola.

As campanhas de saneamento e vacinação obrigatória geraram a Revolta da Vacina, em novembro de 1904, no Rio de Janeiro, que teve destruições e mortes. Oswaldo Cruz sofreu graves ameaças e violentos ataques.

Apesar das revoltas, ao final, as campanhas deram bons resultados, Oswaldo Cruz foi premiado na Europa e tornou-se mundialmente famoso pelo seu trabalho. Morreu muito jovem. A sua história é contada no romance Sonhos Tropicais, de Moacyr Scliar (há um filme com o mesmo nome).

Apesar dos incríveis avanços tecnológicos e científicos das últimas décadas, ignorância não tem época. Ainda há muita resistência contra o conhecimento, as ciências e as vacinas.

Nesta época da pandemia do coronavírus, não dá para abusar.

Esses dois médicos nos ensinaram a importância da higiene e profilaxia para salvar vidas; em acreditarmos nas evidências e a mantermos as nossas mentes abertas.