A complexidade: integração do pensamento sistêmico e linear

A terra é plana ou redonda? Essa foi uma questão colocada por Joseph O’Connor e Ian McDermott no livro “Além da lógica: utilizando sistemas para a criatividade e a resolução de problemas”. O pensador Humberto Mariotti ao responder à indagação observa que, do ponto de vista do pensamento linear, de causalidade simples, a terra é plana e basta olhar o chão que pisamos; do ponto de vista do pensamento sistêmico, com uma abordagem mais ampla, vamos ver que ela faz parte de um sistema e é redonda; por fim, pelo do ângulo do pensamento complexo — que engloba os dois anteriores — ela é ao mesmo tempo plana e redonda (2000, p. 29)*.

A metáfora faz uma ilustração básica do pensamento complexo, resultante da complementaridade entre as visões linear e sistêmica, e que busca ligar as partes ao todo e o todo às partes; que separa e ao mesmo tempo une as disciplinas do conhecimento. Tanto o pensamento linear como o pensamento sistêmico, em que pesem as suas importâncias, são apenas componentes do pensamento complexo.

Lidar com os sistemas vivos em geral e com o ser humano em particular é encontrar sempre a complexidade e por isso devemos juntar esses pensamentos, interdependentes, para aumentar a compreensão da realidade e potencializar soluções para os problemas que surgem.

O antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin nos ensina que a complexidade – que não se confunde com complicação – é um desafio ao conhecimento, não uma solução. Para ele quando dizemos “isso é complexo” confessamos a nossa incapacidade de dar uma descrição ou uma explicação simples, clara e precisa. Ele explica que complexo é “tudo o que não se pode reduzir a uma explicação clara, a uma ideia simples e, muito menos, a uma lei simples. É o pensamento capaz de reunir (complexus: aquilo que é tecido conjuntamente), de contextualizar, de globalizar, mas ao mesmo tempo, capaz de reconhecer o singular, o individual, o concreto”. (Morin e Le Moigne, 2000, p.207).

A teoria da complexidade passou a oferecer sólidas fundamentações conceituais para o conhecimento e as ciências. Ao trabalhar com o ser humano, com as complexas relações humanas, com os desafios das práticas pedagógicas e com a complexidade da vida em geral, os educadores precisam ter um pensar e um olhar mais ampliado, que possa juntar os pensamentos linear e sistêmico, a formar o pensamento complexo. Quanto mais integrador for o seu pensamento e o seu olhar, melhor ele poderá trabalhar nas suas práticas educacionais, integrando teoria e prática, razão e emoção, ser biológico e cultural, indivíduo e sociedade, em suma, analisar todos os fenômenos da vida em seu conjunto.

Fontes:

* MARIOTTI, Humberto. As paixões do ego: complexidade, política e solidariedade. São Paulo: Palas Athena, 2000.

* MORIN, Edgar; LE MOIGNE, Jean-Louis. A Inteligência da Complexidade. São Paulo: Peirópolis, 2000.