A pandemia das incertezas

A pandemia do coronavírus nos trouxe um quadro assombroso de incertezas que nos desafiam cada momento.

Desconhecemos como enfrentar o vírus, que é cheio de complexidades e mutações. Não sabemos como e até quando a epidemia se alastrará em cada país; não sabemos, depois que ela acabar, se haverá ou não novas ondas da epidemia; desconhecemos a cura para a doença, e nem se e quando vamos obtê-la. Estamos num oceano de incertezas e diante de uma total impotência perante o vírus.

Tampouco imaginamos quais serão as consequências políticas, econômicas e sociais de toda essa crise. As projeções preliminares é de que elas serão brutais, com cenários de recessão, redução da atividade econômica, altas taxas de desemprego, aumento da pobreza, endividamentos, entre outras tantas, todas desafiadoras para o futuro.

Tudo é incerteza em relação ao futuro, seja próximo ou mais distante, e enfrentar as incertezas do amanhã é um grande desafio. A nossa cultura sempre está em busca de certezas. Sempre temos dificuldades em aceitar as incertezas e em analisar as complexidades dos fenômenos, com todas as suas implicações; não sabemos como lidar com crises multifacetadas.

As dificuldades em analisar as incertezas fazem parte da nossa eterna crise de percepção, já analisada por muitos pensadores. Mas, como nos lembra  Edgar Morin, o grande mestre da complexidade: “não podemos escapar das incertezas”.

Aprender a enfrentar a incerteza é aprender a viver

Ao comentar no twitter sobre a epidemia do coronavírus o grande mestre e filósofo da complexidade, Edgar Morin, lembrou que “uma das grandes lições da crise: não podemos escapar da incerteza. Ainda estamos na incerteza da cura do vírus, na incerteza dos desenvolvimentos e consequências da crise. Uma missão da educação: ensinar a enfrentar a incerteza.”

Quem imaginaria que depois de tanta evolução na ciência teríamos uma epidemia devastadora, que causaria tantos problemas à humanidade? O inesperado evento, assim como tantos outros da história, devem nos servir de exemplo, e deixar uma certeza: é preciso preparar as mentes das futuras gerações para o inesperado, para enfrentá-lo.

Aprender sobre a incerteza é aprender a viver. A incerteza é inseparável da vida. Desde a concepção até a morte (a única certeza, mas com data e causa incertas), temos uma vida plena de incertezas.

Cinco bons livros para entender melhor a complexidade (para educadores):

MORIN, Edgar. Ensinar a Viver. Manifesto para Mudar a Educação. Porto Alegre: Sulina, 2015

________. A Cabeça Bem-feita: Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento. Tradução de Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.

_______. Educar na Era Planetária: o Pensamento Complexo Como Método de Aprendizagem no Erro e na Incerteza Humana. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2003.

_______. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2011.

_______. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2002.

MARIOTTI, Humberto. Pensando diferente: para lidar com a complexidade, a incerteza e a ilusão. São Paulo: Atlas, 2010.

Imagem destacada: fractal. Fonte: flickr_KaCey970071.

Imagem abaixo: Cisnes que refletem elefantes, Salvador Dali, 1937. É fascinante esta pintura. Mesmo vendo os elefantes na água, os cisnes estão ali. O observador atento vê os elefantes e os cisnes. Não é reflexo.