É conhecida a história de Robson Crusoé, o jovem marinheiro que depois de um naufrágio foi parar numa ilha deserta e lá ficou isolado por quase três décadas. Ele sempre quis ter uma companhia para dividir as suas angústias e os seus sentimentos, até que encontrou o índio Sexta-Feira. A partir desse encontro compartilharam amizade, dividiram valores humanos, refletiram sobre a solidão e transformaram as suas vidas.

Não seria possível viver isolado como Robinson Crusoé. Isolados sentimos angústia, ansiedade, sensação de vazio. Somos interconectados e viver é relacionar-se com os outros.

A quarentena nos retira aquilo que nos é mais importante: o contato real com outras pessoas e com as nossas conexões comunitárias. Todos sofremos, pois necessitamos do outro, e esse é o sentido do viver: a existência de outras pessoas.

Será que depois que passar toda essa onda de incertezas, esse pesadelo, teremos mais consciência da importância dessa conexão comunitária? Seremos menos individualistas e mais unidos? É difícil, pois a natureza humana é muito complexa. Mas estamos tendo uma preciosa lição: é o outro que importa.

São louváveis as apresentações virtuais de artistas, de contadores de histórias, de músicos. É emocionante ver apresentações presenciais de artistas em terraços e sacadas, pensando nos seus vizinhos. São impressionantes os trabalhos voluntários, as doações e as redes comunitárias que estão surgindo.

O apoio virtual também está ajudando muito a enfrentar o isolamento das pessoas. Estamos vendo que conversar, mandar mensagens, fazer encontros virtuais, dar atenção e prestar solidariedade, sobretudo àqueles que estão totalmente sozinhos, tem feito toda diferença. Além de ser bom para nós e para o outro.

Afinal, é o outro que importa. São as relações humanas e sociais que dão sentido para a nossas vidas.