O presidente Bolsonaro disse que “índio tá evoluindo, cada vez mais é ser humano igual a nós”. Essa fala me fez lembrar da história narrada por Carlos Rodrigues Brandão, no livro “O que é Educação”, Ed. Brasiliense, 1985, p. 08 e 09.

Segundo Brandão, há muitos anos, depois do acordo de paz entre Virgínia e Maryland, nos EUA, com os índios das Seis Nações, os homens enviaram uma carta aos índios, convidando-os a mandarem alguns dos seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes responderam agradecendo e recusando. Eis o trecho significativo:

“…Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração.
Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos aos saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.

…Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou conselheiros.

Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão, oferecemos aos nobres senhores de Virgínia para que nos envie alguns de seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens.”

Os povos indígenas são seres humanos, conhecedores da vida no planeta e muito sábios! Temos muito a aprender com eles, especialmente no respeito com a cultura do seu povo, na harmonia com a natureza, na proteção do meio ambiente, na cooperação e no cuidado com a vida do planeta.

Imagem destacada: Rodolfo Oliveira / AG