A nossa cultura valoriza os acertos e condena os erros. Desde pequeno, em casa, os familiares reprovam os erros. Mais tarde, na escola e no trabalho acontece a mesma coisa: precisamos ser perfeitos e não podemos errar. Quando acertamos, não fizemos nada mais que a obrigação; se erramos, temos que pagar – muitas vezes caro – pelo erro. Assim, muitas vezes os erros passam a trazer culpa, remorso, arrependimento, dor e tristeza.

Ocorre que o homem não nasce pronto. A nossa incompletude ao longo da vida nos leva a aprender sempre, até o último suspiro. Nessa longa jornada, acertamos e erramos muito. Todo conhecimento inclui erros e ilusões. O pensamento complexo busca romper o modelo mental linear-cartesiano – que sempre defendeu que a realidade deve ser percebida da mesma forma por todos – por um sistema de pensamento aberto, abrangente e flexível. Cada pessoa é única e, por isso mesmo, singular também será a percepção e também o aprendizado de cada um. Cada um vê as coisas do seu jeito e cada qual tem o seu entendimento e crenças sobre a verdade e o conhecimento.

“O erro é uma coisa positiva, porque, por ele, chega-se a descobrir a verdade” Dostoiévski

O educador tem um importante papel a aprender e a ensinar sobre os erros e acertos, necessários para o processo de ensino e aprendizagem. Os alunos precisam ficar abertos aos novos aprendizados e desafios. O mais relevante é que a autoestima e a autoconfiança sejam mantidas. Quando o aluno erra, percebe o seu erro e aprende com ele, sem afetar a sua estima, ele cresce. Afinal, todos precisamos compreender que os erros são importantes para a nossa evolução. Por isso, como dizia Rubem Alves, “muitas vezes os erros mais nos beneficiam do que nos prejudicam”.