A “Águia de Ouro” foi a campeã do carnaval paulistano deste ano de 2020 com homenagem a Paulo Freire, o “Patrono da Educação Brasileira”; o educador brasileiro mais lido, estudado e homenageado do mundo, com 39 títulos de Doutor Honoris Causa e centenas de outras honrarias.

A homenagem veio em boa hora, no momento em que o educador brasileiro mais é atacado, sob a alegação de ser um filósofo de esquerda. Os ataques se devem ao desconhecimento do trabalho de Paulo Freire ou às obsessões ideológicas que impedem uma visão realista da sua obra.

Os legados de Paulo Freire transcendem os rótulos. Ele deveria ser estudado pela esquerda, pela direita e por todos os demais. Freire foi um grande intelectual de seu tempo. Obras-primas de pensadores como Freire, Hannah Arendt, Humberto Maturana, John Dewey, Rawls, Jung, Nietzche, Sartre, Morin, e tantos outros, vão além das ideologias de uma época.

O livro Pedagogia do Oprimido foi escrito em 1968, quando Freire estava exilado no Chile. O livro é a base da pedagogia crítica e é o terceiro mais citado por pesquisadores em Ciências Sociais de todo o mundo e somente em língua inglesa foram vendidos mais de 500 mil exemplares.

Os jovens precisam saber: a pedagogia de Freire defende a reflexão crítica; a consciência do mundo; a curiosidade epistemológica e a autonomia do pensamento, essenciais para todos os estudantes, sejam de direita ou esquerda. Como poucos, ele pregou o diálogo e a cooperação.

Antes de criticar Paulo Freire é preciso lê-lo e conhecê-lo. Ele era defensor do pensamento consciente para evitar que as pessoas aceitassem tudo passivamente, ficassem reféns e fossem massas de manobras dos oportunistas de sempre.

Sem ler Freire é impossível reconhecer as suas obras, o seu trabalho como Educador e a sua importante teoria epistemológica de aprendizagem. Freire lutou para formar leitores conscientes e críticos, que não repetissem senso comum.

A menos que os críticos estejam seguindo o modelo do “homem massa”, do qual nos falava o filósofo Ortega y Gasset, na primorosa obra “A Rebelião das Massas”: ou seja, o homem que segue o rebanho e não quer pensar.

O que estranha é a crítica por parte de quem nunca leu Paulo Freire; apenas repetem rótulos impostos por esses líderes das massas.

Paulo Freire é motivo de orgulho para todos os brasileiros, para a Educação nacional e para o nosso país.

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Antes de criticar Paulo Freire faça um exercício: leia pelo menos três livros dele e depois chegue às suas próprias conclusões. Sugestões? Comece com esses três clássicos: Pedagogia do Oprimido; Pedagogia da Autonomia e Educação: Prática de liberdade.

Fotos: Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire